Vamos falar de um exercício muito conhecido e utilizado no ambiente de Pilates: o foot work no Reformer.
Quando o aluno inicia suas aulas muitas vezes a primeira opção do professor para trabalhar MMII é colocá-lo na Reformer. E esta é uma boa opção: o aluno está deitado com um grande toque proprioceptivo que é o apoio de toda as costas no carrinho.
Está num ambiente estranho (não é comum que trabalhemos movimentos de perna deitados), o que facilita correções de alinhamento.
O apoio da coluna também garante uma gostosa descarga de peso, o que é um alívio para os discos intervertebrais que costumam estar recebendo carga com a coluna em posição vertical durante todo o dia (quando estamos sentados ou em pé).
A coluna deve estar completamente neutra, pois não existem alavancas de pernas suspensas e estamos deitados: apoio no crânio, torácica e sacro, presença das lordoses lombar e cervical com alongamento axial garantido!
Posição inicial quase definida: como colocar os pés do aluno na barra?
Vamos considerar que temos duas opções: calcanhar e metatarso. Estamos falando dos pés e não dos quadris. Em relação aos últimos podemos estar em paralelo, com pés unidos ou em V de Pilates, numa grande rotação externa, variar a vontade.
Mas, e os pés?
Pensemos primeiro: qual posição é mais fácil? Experimente ficar de pé e descarregar seu peso mais para trás, sobre o calcâneo. Agora faça o contrário, vá para frente e tire um pouco os calcanhares do solo.
O que te desafia mais? Considerando um aluno novato, é interessante iniciar com um desafio menor.
Vamos apoiar os pés no calcâneo e variar as posições do quadril (rotação, paralelo, etc).
O aluno já terá bastante para pensar e sentir: articulação dos quadris, fêmur deslizando no acetábulo como se estivesse cheio de óleo, coluna neutra recebendo a carga de compressão pelas pernas e ombros. Respiração, assoalho pélvico…
Posteriormente, com esses elementos já organizados de maneira mais fácil e natural, passamos para os metatarsos. Uma nova articulação a ser estabilizada.
Atenção: arco de pé não é local de descarga de peso, por isso é um arco. Observe a sola de seu pé como a região do arco é em geral branquinha e não toca o solo.
Outro elemento importante: quando descarregar o peso no metatarso, estimule seu aluno a manter o calcanhar um pouco mais elevado com uma pequena extensão da articulação do tornozelo ou, pelo menos, a mesma altura entre calcanhar e metatarso, como se estivesse em pé.
Não adianta colocar o apoio no metatarso e afundar o pé fazendo flexão e extensão de joelho com o tornozelo em flexão. Você deixa de desafiar o aluno a manter a estabilização do tornozelo e acaba fazendo um trabalho pendurado nos tendões.Isso não interessa.
Lembre-se: faça o que quiser desde que esteja com um objetivo definido.
Autor: Silvia Gomes, educadora física especialista em Biomecânica e instrutora de Pilates





