A propriocepção acontece pela presença de receptores específicos que captam informações do meio externo relacionado ao corpo e enviam ao SNC, na medula espinal, em forma de potencial de ação, através das fibras nervosas aferentes. Assim, é possível determinar respostas adequadas ao estímulo, como por exemplo, o ajuste da posição do corpo em uma superfície, equilíbrio entre músculos agonistas e antagonistas.
Relacionados com os fusos neuromusculares, os receptores musculares são responsáveis pelo comprimento da fibra muscular no repouso (postura) e durante o movimento. Captam as alterações no comprimento das fibras musculares extrafusais conduzindo as informações ao SNC para a produção de reflexos que regulam as contrações musculares inerentes às atividades motoras em questão.
Quando as fibras musculares intrafusais são modificadas, suas terminações nervosas anuloespirais são ativadas, conduzindo a informação às fibras nervosas aferentes que por sua vez se comunicam com os neurônios motores do corno anterior da medula, para então transmitir à área somestésica e retornar com as fibras nervosas eferentes. Então, o estímulo é levado às fibras extrafusais pelas placas motoras, que finalmente se contraem, dando-se o reflexo miotátíco.
Devido a essa importância é que falamos e utilizamos tanto a propriocepção nas nossas aulas de Pilates. Nas aulas observamos inúmeros exercícios que envolvem, por exemplo, superfícies instáveis, a fim de proporcionar ao cérebro oportunidades para avaliar a orientação no espaço, desenvolvendo e treinando a consciência corporal, válido ao aluno lesado ou não. Em casos de lesões relacionados a músculos, aponeuroses, tendões, ligamentos, articulações e labirinto, os proprioceptores também sofrem danos, resultando em um déficit na capacidade proprioceptiva. Se tais receptores não forem estimulados pode haver uma reincidencia de lesão, além de prejudicar o desempenho físico.
Fonte: Flexus Pilates
Sabemos que o exercício proporciona vários benefícios às mulheres no período que antecede e durante a menstruação. Por outro lado, estudos relatam que cada fase do ciclo menstrual também pode interferir na disposição e potencial físico, além do psicológico; variando de pessoa para pessoa.
Tal fato se deve às alterações hormonais. Por volta do 23º ao 28º dia do ciclo mentrual, a mulher se encontra na fase pré-mentrual, período em que se dá um aumento na taxa de progesterona, podendo reduzir o potencial físico do aluno. Além de diminuir a capacidade de concentração, estar mais propensa a fadiga muscular e irregularidades de humor. Entre o 5º ao 11ºdia do ciclo, na pós-menstrual, é secretado mais estrogênio e noradrenalina. Por isso, nessa fase, observa-se um melhor desempenho físico.
Há relatos de alguns pesquisadores que ao analisar as características contráteis dos músculos esqueléticos nas diferentes fases do ciclo, não encontraram diferenças significativas. Mas, apesar de a fisiologia e especificidade do esporte serem individuais, a maioria dos estudos tem encontrado uma baixa na performance na fase pré-menstrual, e uma boa melhora do desempenho na pós-menstrual.
Assim, é possível levar em consideração essa hipótese das mudanças hormonais durante o ciclo menstrual ao fazer o plano de treinamento e aplicar de acordo com a resposta e adaptação de cada aluna. Embora a hipótese seja considerada mais por técnicos desportivos, as praticantes de pilates também podem se beneficiar com a oscilação hormonal.Para tal, é importante investigar as características do ciclo menstrual, bem como o objetivo e perfil de cada aluna, para então decidir se tal hipótese seria considerável para a aluna em questão. E então, avaliar a resposta da aluna para a adaptação de variáveis como volume, intensidade, grau de dificuldade, psicológico, metabolismo, etc. De acordo com a análise individual, podemos somar mais uma ferramenta para otimizar os resultados.
Fonte: Flexus Pilates
Respirar é uma das nossas funções automáticas talvez por isso não lhe dedicamos atenção nem somos estimulados a treinar nossa respiração, mesmo sendo a nossa fonte primária de energia e o suporte básico da nossa vida.
A maneira como respiramos é o reflexo da forma como vivemos. Emoções negativas podem afetar o nosso padrão de respiração e isso tem um efeito imediato em nossa postura. Você já deve ter reparado que quando estamos sob stress ou preocupados, nosso peito começa a ficar mais tenso e a respiração torna-se mais superficial e rápida aumentando a frequência cardíaca. Se você está calmo a sua respiração e ritmo cardíaco é mais lento, existe tempo suficiente para transportar o ar profundamente através de toda a capacidade dos seus pulmões usando o diafragma.
Quando dirigimos a nossa atenção para a respiração ajudamos a aumentar o fluxo de oxigênio para o sangue e a transportar o dióxido de carbono no sentido inverso, é importante ter a ajuda de um bom profissional para não se correr o risco de uma hiperventilação. Aumentamos a nossa capacidade respiratória e circulatória. Um respiração ineficiente e destreinada irá ter o resultado oposto.
Joseph Pilates percebeu a relação profunda entre a mente, o corpo e respiração e a importância desta ligação na sustentação de um método de exercício eficiente. Estes mesmos princípios são usados com sucesso à centenas de anos em disciplinas orientais como o Yoga e o Tai Chi. Hoje em dia é largamente aceite que exercícios respiratórios têm um impacto profundo na melhoria do nosso bem estar fisiológico e psicológico. Praticando Pilates você irá aprender a usar de forma eficiente os músculos relacionados com a respiração, sobretudo a usar o diafragma, a evitar tensões desnecessárias e a aproveitar as possibilidades que a sua caixa torácica oferece.
Quando a respiração é calma e eficiente, os movimentos produzidos durante o exercício tornam-se suaves e o corpo permanece relaxado e livre de tensões indesejadas. Por isso que Pilates apesar de ser um método de exercício exigente não reduz as suas energias físicas, mentais e emocionais. Pelo contrário, no final de uma aula de Pilates deve sentir-se revigorado na sua energia e bem estar, pronto para levar esses benefícios para o resto do seu dia e das suas actividades. Se você aprender a respirar melhor é inevitável que irá passar a viver melhor.
Autor: Hugo Matos – Fisioterapeuta e instrutor de Pilates